No último domingo (16), a Educafro realizou sua assembleia geral na sala abaixo do Viaduto do Chá, na região do Vale do Anhangabaú em São Paulo. A ocasião contou com a presença de dezenas de pessoas dentre associados e comunidade, além do convidado Samir, reitor da Universidade Anhanguera e representante do grupo UNIBAN.

A reunião geral deste mês da Educafro foi um evento muito aguardado pelos associados devido aos temas e eventos que marcaram a mídia e a militância negra neste mês. Temas como o Concurso Miss Brasil 2016 e o caso de racismo na Maria Filó, grife de roupas brasileira, foram duramente pautados.

DEDO NA FERIDA

A listagem de assuntos apresentados pela Educafro colocou o dedo na ferida nesta última reunião. Na terceira semana de outubro, a ONG enviou a Campinas uma leva de militantes para a consulta pública realizada na Unicamp acerca das cotas raciais. A Unicamp, única universidade pública que não utiliza o sistema de cotas para negros, pobres ou deficientes, abriu espaço para debate.

Samuel, militante e voluntário na sede, subiu ao microfone e mostrou indignação: “Isso aqui é um teatro”; de acordo com ele, a universidade não se dispôs ao diálogo sério da questão, uma vez que apenas nove (9) conselheiros estavam presentes junto ao reitor. A Unicamp possui setenta (70) magistrados no cargo de conselheiro. Ainda em sessão, Frei David, diretor e idealizador da Educafro foi mais a fundo: “Reitor, estamos encenando aqui. A Educafro pede cotas na Unicamp desde 2004, já são doze anos nisso”.unicamp

A Unicamp não sinalizou sobre o assunto até o momento.

A discussão de cotas é uma iniciativa dos movimentos
sociais para garantir a inserção de grupos socialmente vulneráveis nas universidades, uma vez que os principais perfis nas salas de aula são de pessoas brancas e classe média/classe média-alta.

 

 

ÁGUA MOLE, PEDRA DURA.

A reunião mensal da Educafro também apontou vitórias para o movimento negro. Após meses de empenho e dezenas de e-mails, a comunidade viu-se contemplada e ouvida diante do anúncio do Fantástico, programa jornalístico tradicional exibido na Rede Globo, sobre a reportagem escancarando o escândalo de fraude nas cotas e as operações da polícia para mapear este crime. A reportagem teve foco na fraude de vagas destinadas a negros, pobres e principalmente, quilombolas.

A reportagem completa foi disponibilizada na web pela emissora e pode ser acessada através do link abaixo.

Estudante fingem ser cotistas para entrarem em universidades públicas

MODA DE SINHÁ

Duramente apontado na reunião de outubro, o caso de racismo – literalmente – estampado, da grife de roupas Maria Filó também causou alvoroço nas mídias sociais e críticas da opinião pública.

A marca produziu uma peça de roupa cuja estampa mostrava uma mulher negra servindo a uma branca, fazendo alusão a escravidão.

Indignada, Ester, militante da Educafro falou sobre, em discurso na reunião: “jamais, em nenhum lugar do mundo, se usaria o Holocausto do povo judeu numa estampa… jamais seria considerado arte uma roupa lembrando o genocídio de um povo. Por que com o povo negro isso é aceitável? […]”

A marca lançou uma nota na imprensa se retratando sobre o ocorrido, justificando a estampa com uma homenagem a obra do pintor Debret. Entretanto, a obra referida trata-se de uma pintura mostrando duas mulheres negras, o que foi encarado por internautas como uma tentativa de manipulação da marca.

A Educafro sinalizou entrar com um processo público contra Maria Filó pelo crime de racismo.

VITORIA NA EDUCAÇÃO

A maior novidade apresentada pela Educafro este mês foi a parceria com o grupo uniban, através da Universidade Anhanguera. A parceria fechada no último mês irá disponibilizar duzentos e cinquenta (250) bolsas integrais para auxiliados da Educafro. As bolsas nos mais diversos cursos serão destinadas, inicialmente, a pessoas portadoras de deficiência.

Inspirados pelas Paraolimpíadas e pela realidade dos atletas, a parceria irá se iniciar no próximo semestre com o objetivo de integra-los a sociedade, tendo profissão e independência através da educação.

A próxima reunião geral da Educafro será vinte (20) de novembro, em São Paulo, mas ainda sem espaço definido.  A reunião deverá ser em tom de comemoração e luta pelo mês de Zumbi dos Palmares e do Dia Nacional da Consciência Negra. A agenda de eventos da Educafro poderá ser acessada em breve no portal da ONG.

Jornalista responsável: Leticia Cavalcante

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