É esse o sentimento exposto na arte de Miguel Villalba Sánchez, criador da icônica charge “Je Suis Charlie” quando se referiu ao ataque feito ao jornal francês que vitimou 12 pessoas em 2015.

Um ano depois o Haiti sofre uma das piores tragédias mundiais: o furacão Matthew deixa um rastro de destruição, 1,4 milhão de pessoas necessitam de ajuda, mais de 900 pessoas perderam suas vidas e, no entanto, ninguém é Haiti.

O mundo não parou, não se comoveu, a mídia não alterou sua programação, o Facebook não lançou filtro para fotos de perfil com as cores haitianas. As notícias sobre o furacão apareciam apenas quando esse ameaçava destruir o paraíso norte-americano na Florida, tivesse sido esse o caso, estaríamos todos agora com “We are all americans” (“Somos todos americanos”) em nossas redes sociais. Mas somos mesmo?

O Haiti não apenas faz parte das Américas, é também o país mais pobre dos continentes, um povo que ainda não se recuperou dos tremores de 2010 e que sofre novamente com um fenômeno natural que devastou seu território, e mesmo assim recebe menos atenção e carinho do que os franceses.

É inegável a diferença de valores que se nota no mundo, todos se comovem e demonstram solidariedade com o que aconteceu na França, mas poucos se preocupam com o que acontece no pequeno país latino americano. É impressionante que uma cidade como Paris possa ser alvo de ataques, e essa comoção vem de um desejo das pessoas de estarem na capital francesa, de um receio de que poderiam ser elas sofrendo com o terrorismo, mas ninguém pensa no Haiti, é apenas mais uma notícia triste sendo transmitida nas redes de televisão enquanto terminam seus jantares, vão todos assistir e refletir por cinco minutos sobre o quão sofrido é o povo haitiano. Vida que segue. Ninguém é Haiti.

 

Jornalista responsável: Antonio Carlos